Vivemos num Mundo conturbado repleto de problemas e incertezas perante o teatro da Vida. Quando os olhos se embaciam, o silêncio fala e as interrogações permanecem...é chegado o momento de meditarmos e nos abrirmos à FILANTROPIA

Quarta-feira, 2 de Maio de 2007
Não à desistência

 

Precisamos de ser persistentes

Acreditar continuando

Nesta esperança que nos alimenta

 

         Todos nós somos capazes, com mais ou menos sacrifício, de partir e chegar a um lugar. Esse objectivo pode-se tornar difícil conforme a estrada se nos apresenta. Somos eternos caminhantes nesta vida...

 

         O Homem é um ser obstinado e infatigável capaz dos maiores sacrifícios para atingir as suas metas mesmo que, por vezes, o esforço seja desumano. Muitos fazem-no por ambição outros porque são pressionados.

         Até onde podemos chegar quando somos obrigados a sacrificar todo o nosso tempo útil às funções que alicerçam o nosso quotidiano?

 

         Se partir e chegar é para alguns um marco de esforço e perseverança concretizando por fim os seus objectivos para outros é muito difícil fazer o seu trajecto porque os limites os deprimem.

 

         É assumindo a vida que crescemos na luta de modificar o que está mal. Só encontraremos melhores soluções interagindo com os que caminham ao nosso lado. Assim, em comunidade, aprenderemos a construir solidariedade. Não somos uma ilha mas sim parte de um todo que sofre com problemas de vária ordem sufocando o seu dia-a-dia. Não podemos arranjar desculpas para fugir, por muito sofrimento que esteja dentro de nós. Temos de enfrentar os obstáculos.

 

         Todos, mesmos os mais poderosos, tremem quando os elos que os prendem são fortes. Quero dizer que somos todos feitos da mesma matéria. As oportunidades como, por exemplo, a instrução será sempre uma arma muito forte para combater as injustiças. Lutemos pois por sanar os problemas, com que os nossos pais foram defrontados, ou seja, a ignorância que se continua arrastando até aos nossos dias. O que é que está mal?

 

         Pensem pela vossa cabeça e chegarão ao vosso lugar.

Aida Nuno

                                                                            


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Sexta-feira, 6 de Abril de 2007
Os Cristos no Mundo

 

         Este mês, em que se celebra a Páscoa, achei oportuno falar de um grande escritor italiano chamado Curzio Malaparte. Este autor escreveu dois livros muito marcantes logo após a II Guerra Mundial: A Pele e Kaputt.

         O livro “A Pele” marcou-me profundamente quando o li há  alguns anos. É escrito com ódio e paixão, com fogo e fúria, com sarcasmo e lirismo. “A Pele” é um livro que irrita e comove, ofende e inspira.

         Curzio Malaparte (seria interessante consultarem a sua biografia na Internet) descreve com admirável lucidez a que baixos níveis a condição humana se afunda quando o conflito da guerra transforma alguns homens em seres inferiores a bichos.

         É um texto de sangue que nos fascina pela sua actualidade. Da II Guerra Mundial aos dias de hoje pouco ou nada mudou. Hoje as guerras são focos constantes que se espalham pelo mundo como uma doença incurável.

         Nada nos espanta seja nos jornais, telejornais ou mesmo em conversas de café, ouvirmos falar dos jovens mortos em combate como uma notícia vulgar, sem horror.

         Os jovens ao nascer, porque a natureza humana assim o quer, foram embalados e amados pelas seus pais. Merecem esta indiferença? Este destino? E o direito à  sua própria vida? Para quando a Paz em toda a sua essência?

         Quantos e quantos jovens foram mortos por interesses políticos, petróleo, diamantes, ambição desmedida de tantos indiferentes poderosos!

         “A Pele” é um livro amargo, duro, violento mas muito actual...A realidade da guerra, da fome, de muitos viverem como animais em situações de conflito, continua nos nossos dias. Que ninguém o ignore.

         Alguns excertos deste livro que transcrevo tem muito a ver com a Páscoa que celebramos. Desejo sinceramente que os jovens que assinam tantos blogs com a alegria natural da sua juventude, ilusões, desilusões, sonhos, se debrucem sobre este tema tão marcante.

 

         Mas depois da libertação os homens tiveram de lutar para viver. É uma coisa humilhante, horrível, é uma necessidade vergonhosa lutar para viver. Só para viver. Só para salvar a própria pele. Já não é a luta contra a escravidão, a luta pela liberdade, pela dignidade humana, pela honra. É a luta contra a fome, a luta por um pedaço de pão, por um pouco de lume, por um farrapo para cobrir os filhos, por um pouco de palha para estender o corpo. Quando os homens lutam para viver, tudo, até uma panela vazia, uma ponta de cigarro, uma casca de laranja, uma côdea de pão seco apanhada no lixo, tudo tem para eles um valor enorme, decisivo. Os homens são capazes de todas as velhacarias para viver: de todas as infâmias, de todos os crimes para viver...Estão prontos a ajoelharem-se, a arrastarem-se pelo chão, a lamberem os sapatos de quem pode matar-lhe a fome...e têm um sorriso humilde, doce, um olhar cheio de uma esperança famélica, bestial, uma esperança espantosa.”

        

***

         “- A pele.

         - A pele? Qual pele?

         - A pele – respondi em voz baixa – a nossa pele, esta maldita pele. O senhor não imagina sequer do que é capaz um homem, de que heroísmos e infâmias é capaz para salvar a pele. Esta, esta pele suja, está a ver?...

         Tempo houve em que se sofria a fome, a tortura, os mais terríveis padecimentos, se matava e se morria, se sofria e fazia sofrer, para salvar a alma, para salvar a própria alma e a dos outros. Era-se capaz de qualquer grandeza e de qualquer vilania para salvar a alma. Hoje, sofre-se e faz-se sofrer, mata-se e morre-se, realizam-se feitos maravilhosos e feitos horrendos, já não para salvar a própria alma, mas para salvar a própria pele. O resto não conta. É-se herói, hoje, por bem pouca coisa! Por uma feia coisa. A pele humana é uma coisa feia. Veja. É uma coisa suja. E pensar que o mundo está cheio de heróis prontos a sacrificar a própria vida por uma coisa assim.

         -Tout de même...- disse o General

         - Não pode negar senão em confronto com todo o resto...hoje, na Europa, vende-se tudo: honra, pátria, liberdade, justiça. Há-de reconhecer que é coisa sem importância vender os próprios filhos.

         - O senhor é um homem honesto – disse o General – Não venderia os seus próprios filhos.

         - Quem sabe? – respondi em voz baixa – Não se trata de ser um homem honesto, não significa nada ser uma pessoa de bem. Não é uma questão de honestidade pessoal. É a civilização moderna, esta civilização de Deus, que obriga os homens a dar uma tal importância à própria pele. Só a pele conta agora. De seguro, de tocável, de inegável, não há senão a pele. É a única coisa que possuímos, Que é nossa. A coisa mais mortal no mundo. Só a alma, ai de nós!, é imortal... Mas que valor tem a alma hoje? Só a pele é que conta. Tudo é feito de pele humana. Até as bandeiras dos exércitos são feitas de pele humana. Já ninguém se bate pela honra, pela liberdade, pela justiça. Todos se batem pela pele, por esta suja pele.”

***

 

         “Jamais gostei tanto de uma mulher, de um irmão, de um amigo, como gostei de Febo. Era um cão igual a mim. E foi para ele que escrevi as páginas afectuosas de “Um Cão Igual a Mim”. Era um ser nobre, a mais nobre criatura que encontrei na minha vida. Pertencia àquela rara e delicada família dos galgos, vindos das terras da Ásia...

A sua pele era cor da lua, rosa e dourada, a cor da lua sobre o mar, a cor da lua sobre as escuras e brilhantes folhas dos limoeiros e das laranjeiras, sobre as escamas de peixes mortos que o mar, depois das tempestades, deixava no litoral, diante da porta da minha casa...

         Jamais se afastava de mim um passo que fosse. Seguia-me como um cão. Digo que me seguia como um cão...

Dele, muito mais que dos homens e da sua cultura, e da sua vaidade, aprendi que a moral é gratuita, que é um fim em si mesma, que não pretende nem sequer salvar o mundo (nem sequer salvar o mundo!), mas unicamente inventar sempre novos pretextos para o seu desinteresse, para o seu livre exercício. O encontro de um homem e de um cão é sempre o encontro de dois espíritos livres, de duas formas de dignidade, de duas morais gratuitas...

         Um dia saiu e não voltou mais. Esperei-o até ao fim da tarde e, caída a noite, corri pelas ruas chamando-o pelo nome...

         Levei a manhã a correr de canil em canil, e finalmente um tosqueador, numa lojeca próxima perguntou-me se eu estivera na Clínica Veterinária da Universidade, onde os ladrões de cães vendem, por pouco dinheiro, os animais destinados a experiências clínicas...

         Quando entramos, todos os cães nos olharam, fitando-nos com uma expressão implorativa e, simultaneamente, carregada de uma atroz suspeita: seguiam com o olhar cada gesto nosso e, tremendo, espiavam-nos as bocas...

         De repente vi Febo.

         Estava estendido sobre o lombo, o ventre aberto, uma sonda mergulhada no fígado. Olhava-me fixamente e tinha os olhos cheios de lágrimas. Mostrava no olhar uma maravilhosa doçura. Respirava levemente, com a boca entreaberta, sacudido por um tremor horrível. Olhava-me fixamente, e uma dor atroz roía-me por dentro. “Febo”, disse eu em voz baixa. E Febo olhou-me com uma maravilhosa doçura nos olhos. Eu vi Cristo nele, vi Cristo nele crucificado, vi Cristo que me olhava com os olhos cheios de uma doçura maravilhosa. “Febo”, disse eu em voz baixa, curvando-me para ele, acariciando-lhe a testa. Febo beijou-me a mão e não soltou um gemido.

         O médico aproximou-se, pegou-me no braço:

         - Não posso interromper a experiência – disse. – É proibido. Mas por sua causa...dou-lhe uma injecção. Não sofrerá.

         Tomei a mão do médico entre as minhas mãos e disse, com as lágrimas a descerem-me pelo rosto:

         - Jure-me que não sofrerá.

         - Ficará a dormir para sempre - assegurou o médico. - Desejaria que a minha morte fosse tão suave como a dele.

        - Fecharei os olhos. Não quero vê-lo morrer. Mas trabalhe depressa, trabalhe depressa! - respondi.

        - Um momento só - disse o médico e afastou-se sem ruído, deslizando no oleado. Foi ao fundo da sala, abriu o armário.

       Eu fiquei de pé diante de Febo; tremia horrivelmente, as lágrimas sulcavam-me o rosto. Febo olhava-me fixamente e nem o mais leve gemido lhe saía da garganta, olhava-me fixamente com uma maravilhosa doçura nos olhos. Também os outros cães, estendidos sobre o lombo, nos seus berços, me olhavam fixamente, com a mesma maravilhosa doçura nos olhos, e nem o mais leve gemido lhes saía das gargantas.

       De repente, um grito de pavor saiu-me do peito:

       - Porquê este silêncio? - gritei - Que é este silêncio?

      Era um silêncio horrivel. Um silêncio imenso, glacial, morto, um silêncio de neve.

      O médico aproximou-se com uma seringa na mão:

      - Antes de os operarmos - explicou - cortamos-lhes as cordas vocais.

***

 

         “Éramos homens vivos num mundo morto. Já não tinha vergonha de ser homem.

         Que importava que os homens fossem inocentes ou culpados? Só havia homens vivos e homens mortos sobre a terra. O resto não contava. O resto não era senão medo, desespero, arrependimento, ódio, rancor, perdão, esperança. Estávamos no cume de um vulcão extinto...

         Lá longe, até onde o meu olhar podia chegar, milhares e milhares de cadáveres cobriam a terra. Não passariam de carne morta, esses mortos, se não tivesse havido entre eles alguém que se sacrificara pelos outros, para salvar o mundo, para que todos os que, vencedores ou vencidos, tinham sobrevivido aos anos de lágrimas e de sangue, não tivessem de se envergonhar de serem homens. Entre esses cadáveres, entre esses milhares e milhares de homens mortos, estava com certeza o cadáver de um Cristo. Que seria do mundo, de todos nós, se entre tantos mortos não estivesse um Cristo?

         - Para que é preciso outro Cristo? – disse Jimmy. – Cristo já salvou o mundo, duma vez para sempre.

         - Oh, Jimmy -  porque não queres compreender que todos esses mortos seriam inúteis se não houvesse um Cristo entre eles? Por que não queres compreender que há com certeza milhares e milhares de Cristos entre todos esses mortos? Tu também sabes que não é verdade que Cristo tenha salvado o mundo duma vez por todas. Cristo morreu para nos ensinar que cada um de nós pode tornar-se Cristo, que cada homem pode salvar o mundo com o seu próprio sacrifício. Também Cristo teria morrido inutilmente se cada homem não pudesse tornar-se Cristo e salvar o mundo.

         - Um homem não é senão um homem – disse Jimmy.

         - Oh Jimmy, por que não queres compreender que não é necessário ser filho de Deus, ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, e ter assento à mão direita de Deus Pai, para se ser Cristo? Foram esses milhares de mortos, Jimmy, que salvaram o mundo.

         - Dás demasiada importância aos mortos – observou Jimmy. – Um homem só conta se estiver vivo. Um homem morto não é senão um homem morto.

         - Entre nós, na Europa – respondi, só os mortos contam.

         - Estou cansado de viver entre os mortos – tornou Jimmy. Sinto-me contente por voltar a casa, por voltar à América, é um país rico e feliz.

         - Sei muito bem, Jimmy, que a América é um país rico e feliz. Mas não irei, devo ficar aqui. Não sou um covarde, Jimmy. E depois, também a miséria, a fome, o medo, a esperança são coisas maravilhosas. Mais que a riqueza, mais que a felicidade.

         - A Europa é um monte de lixo – disse Jimmy – um pobre país vencido. Vem connosco. A América é um país livre.

         - Não posso abandonar os meus mortos Jimmy. Vocês levam os seus mortos para a América. Todos os dias partem para a América navios carregados de mortos. Morreram ricos, felizes, livres. Mas os meus mortos não podem pagar o bilhete para a América, são pobres demais. Nunca chegarão a saber o que é a riqueza, a felicidade, a liberdade. Viveram sempre na escravidão; sofreram sempre a fome e o medo. Serão sempre escravos, sofrerão sempre a fome e o medo, mesmo mortos. É o destino que lhes coube Jimmy. – Se soubesses que Cristo jaz entre eles, entre esses pobres mortos, ias abandoná-Lo?

         - Não queres com certeza que eu acredite – ponderou Jimmy - que também Cristo perdeu a guerra.

         - É uma vergonha ganhar a guerra – disse eu em voz baixa.”

 

Excertos tirados do livro “A Pele” de Curzio Malaparte – Editora Civilização Brasileira (1962)(315 páginas)

 

Aida Nuno

 

 

 

 


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Terça-feira, 20 de Março de 2007
Parar para pensar

 

         Todos os dias devíamos parar uns momentos para recordar quem somos. Encontraríamos certamente serenidade e força para enfrentar as nossas vidas tão agitadas.

 

         Se o teu passado foi calmo e feliz mas agora está desajustado ao teu presente tempestuoso pensa e começa a agir de uma outra forma, ajuda-te a ti próprio a encontrar o melhor caminho. Se o teu passado foi triste e isso tem influenciado o  presente, pensa que tudo porque passaste foi um princípio de ensinamento para escreveres no livro da Vida. Esse percurso vacinou-te, deu-te a intuição e a coragem de prosseguir esperando um futuro mais promissor.

 

         Os desgostos são como pedras que todos os dias magoam os nossos corações. Um monte, pedra a pedra transforma-se numa montanha. Não continues a fazer mais montanhas de pedras. Pára e escala com coragem essa única montanha que tu viveste. Lá no alto verás a vida de uma outra maneira, alcançaste com certeza mais sabedoria. Não subestimes todos os problemas e desgostos porque já passaste. Eles vão ajudar-te a reconheceres outros caminhos para a tua verdadeira liberdade.

 

         Se quiseres acreditar que o tempo nos trás compensações para além da velhice, essa palavra tão depreciativa para alguns, passarás a ser mais forte, mais lúcido para enfrentares afinal o teu verdadeiro futuro com uma filosofia de vida que te espantará.

 

         Todo o tempo é tempo de recomeçar...Tira partido das coisas boas e más que te aconteceram. Parar nunca! O tempo é breve, não perdoa aos indecisos, aos que não se querem escutar. Compara a tua vida sempre com a dos mais infelizes e aprenderás a ser mais condescendente com a tua própria Vida.

 

         Desperta e medita. Tenta estar consciente do momento presente. Vai-te ajudar a unir os elos da tua história ou das tuas histórias. Recorda quem és, de onde vens, para onde vais e para onde queres verdadeiramente ir. Mesmo que não encontres respostas definitivas para muitas das grandes questões da tua vida, não desistas. Não percas as tuas interrogações para não te perderes pelo caminho.

 

         Carregamos um grande saco às costas. Estão lá dentro peças que não queremos perder. Volta a utilizá-las. Estarão lá com certeza a tua inocência perante o mundo, a tua espontaneidade perante a vida e a tua vontade de tornar a olhar, sentir e realizar. Se as guardaste é porque te são queridas.

 

         Louva a Vida, a natureza, o céu, o mar, tudo o que tens e, mesmo magoado pelas injustiças, não desistas. Estás vivo e essa Vida tem um valor incalculável. Sorri.

 

Aida Nuno 

 


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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007
Sonho de Glória

Eu sou um Homem!

Transporto o meu cadáver

Nasci. Tenho o direito de viver!

Não sou humilde, nem submisso

De imaginação acesa, rico serei

Fascina-me a miragem, a coragem

Tenho ambição.

  

Sinto uma estrela que em mim rebrilha

A minha glória ocupará espaço

Não me ofereçam o destino

Sou eu que o faço

Defendo o meu lugar

Tenho os meus braços, o meu olhar

Abranjo tudo!!!

Tanto mar para navegar!

Todo este céu para voar!

Encontrarei o pão e frutos de oiro.

  

Sou hoje o que fui ontem

Buscarei sempre o impossível amanhã

Ofereço à terra tudo o que eu sou

Alguém fará de tábuas o meu caixão

Eu não! Quero viver!

 

Aida Nuno


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A Alegria de Ser Domingo

Cidade herdada sem mesmo a querer

Onde se chora a morte e se ri o amor...

Tejo que vai e vem, nos beija e agoniza

Murmurando velas, gaivotas e toda a dor.

 

Não se vê marinheiros nem pescadores

Só o fado os canta sem alma nem fulgor

Ergue-se o sol vermelho, brilha a saudade

No Tejo correntes levam mortos em flor.

 

Turistas passam e enquadram o momento

O rio, a torre, o soldado, o facho ardente

E passa a populaça brincando à alegria

De ser domingo...

 

Memórias, navegadores, histórias,

Quase todas para chorar...

E o povo triste passa a passear

A alegria de ser domingo, dia de ser feliz.

 

Aida Nuno


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