Vivemos num Mundo conturbado repleto de problemas e incertezas perante o teatro da Vida. Quando os olhos se embaciam, o silêncio fala e as interrogações permanecem...é chegado o momento de meditarmos e nos abrirmos à FILANTROPIA
Quinta-feira, 10 de Maio de 2012
Sentir as Palavras

 

        Este Blog é muito importante para mim. Nele escrevo temas que fluem da minha alma e também de algum conhecimento que tenho.
      Não sou intelectual, não sou profundamente conhecedora de nada. Sou persistente. Gosto especialmente de mostrar, a quem me lê, que quero mais do que tudo demonstrar que podemos ser o que quisermos se nos empenharmos
         Quando tinha nove anos fui um dia à noite às instalações do Sindicato dos Pescadores. Quem me levou foi uma amiga da minha mãe que aí trabalhava como empregada de limpeza.  Meio século já passou. Não esqueço porém que havia numa sala uns oito/dez pescadores, de diversas idades, aprendendo a ler e a escrever com um professor. Eu, miúda ladina, saracotiei à volta deles e alguns chamavam-me para os ajudar. Eu sabia mais  e fiquei muito contente por os ensinar. Nunca esqueci as suas mãos calejadas em cima das minhas agradecendo o pouco que eu estava fazendo. Hoje lembrei-me nitídamente de tudo isto. Tenho muita pena de toda a ignorância que existe. Nos nossos dias não é propriamente o não saber ler ou escrever...
          O pouco que sei transmito-o como posso e de toda a maneira viável. Fico sempre muito feliz quando alguém responde ao meu apelo de partilha acabando também por me ensinar com as suas experiências de vida.
             Hoje peguei num livro escrito pela minha amiga Ilda: “O Caminho da luz”. Narra com toda a simplicidade de uma mãe o seu percurso perante o inevitável: a morte do seu filho. Vai-se apercebendo, dia após dia, que dentro de algum tempo o seu filho vai partir.
              Ela ao princípio não acredita. Pode lá ser! O seu filho é jovem, alegre, bom, cheio de saúde mas os dias, os meses, em suma o tempo não perdoa e dá-lhe o desespero misturado com a esperança, o medo com a coragem, a luta com a resignação.
            Lembrei-me hoje intensamente da minha amiga Ilda. Da minha irmã de infortúnio.
            Trancrevo a seguir, do início do seu livro, alguns excertos que achei relevantes para o enriquecimento de todos os interessados.
            Eu acredito nas palavras, na sua força, na sua verdade quando o sofrimento entra em nós.
            Não poderia deixar de informar que este maravilhoso livro está à venda na sempre louvável Associação “A Nossa Âncora-Apoio a Pais em Luto”.
 
Qu   “Quem somos?

 

         “…A ilusão sobre a realidade, em que o ser humano vive, é tão grande quanto esta vida terrena é verdadeira. Por vezes, esta mesma ilusão torna-se imperceptível, quase não dá para a sentir, não fossem as marcas que a própria realidade inscreve no tempo, durante o qual peregrinamos nesta Terra, tempo de que muitos de nós nem nos daríamos conta tão fugaz, é a vida que nos é permitida viver.

         O tempo é o único factor relativo e mensurável do caminho por nós trilhado até uma meta desconhecida, no entanto materialmente certa, de onde ninguém consegue escapar; a morte física.

         Em minha opinião, vivemos imersos no ar e submersos na ilusão, passeamos pela vida que nos foi imposta, sem percebermos muitas vezes ter apenas uma missão, seja ela qual for, que nos foi entregue, sem possibilidade de a recusarmos, para cumprir as nossas obrigações, sejam quais forem, sendo obrigatório apenas nascer, viver e morrer, e aquilo que nos foi oferecido logo no acto em que fomos concebidos.

         Seremos por vezes uns indivíduos cheios de sorte se percebermos, de algum modo, de que ao nascermos, contribuímos de alguma maneira, mesmo por vezes microscópica, para a alteração deste mundo tão desconhecido.

         Uns mais e outros menos, todos encontram o inexorável caminho a percorrer, com ou sem conforto, mal ou bem, mesmo à custa da própria vida, mas todos com o instinto da sobrevivência neste mundo complicado, onde se vive numa busca intensa e exaustiva de objectivos mais ou menos concretizáveis, muitas vezes só nas intenções, até ao fim dos nossos dias.

         Falo por mim, dado a minha experiência de vida, com momentos muito fáceis e com outros exaustivamente difíceis e incontornáveis. Tiro estas conclusões como um ser humano, por certo igual a tantos outros mas tão diferentes de indivíduo para indivíduo.

         Contudo todos os caminhos percorridos por cada um de nós têm de ser preenchidos com as nossas acções ou mesmo intenções seja de que modo for. Não são melhores uns do que os outros; são diferentes e pertencem a cada um, ainda que, por vezes, pareçam ou estejam cheios de problemas. Serão obras do acaso? Ou serão coincidências muito coincidentes? Uns dizem ser o destino, outros nem sequer acreditam em nada, mas há os que se debruçam sobre o assunto e tecem teorias, avançam certezas e constroem confusões, que levam ainda a outras questões, quase todas sem resposta no limiar do concreto.

         Se tivermos a ousadia e a coragem para rejeitar aquilo que somos, na verdade, apenas se recusa a duração do tempo da nossa peregrinação, não a própria vida, por ser já um acontecimento intrínseco, isto é, não se pode recusar a existência daquilo que já é, que não pedimos, ou que não nos foi perguntado no acto de que nascemos. Pelo menos a nível material, porque a nível espiritual, torna-se mais complicado e até delicado tecer algumas considerações.

         Por vezes sonhamos com o convencimento do poder sobre as nossas vidas e também a dos nossos semelhantes, isto é, a decisão de continuar a peregrinação ou de a fazer parar, podendo ocorrer aquilo que se convenciona de interrupção da caminhada, ocorrendo a morte terrena, através de suicídio, homicídio, genocídio e todos os terríveis substantivos mais conhecidos para além da morte natural.

         Instala-se o sentimento amargo e indescritível de um potencial processo depressivo, instrumento principal para acabar com uma vida, antecipando o processo de destruição a que estamos condenados dia após dia. Esta destruição torna-se para o suicida um bom prémio. O simples facto de viver transporta em si mesmo uma grande responsabilidade que acrescida de acontecimentos pouco agradáveis, com que a vida nos vai brindando, ajuda a se instalar a depressão, por vezes em indivíduos onde pouco seria de prever.

         Debatem-se mundialmente estes temas encontrando culpabilidade nuns e noutros, ou mesmo heroísmo nas decisões tomadas quando os sofrimentos, as doenças ou as guerras, exprimem toda a sua força tempestuosa.

         Depois há a eterna luta frustrante daqueles que sabem de mortes anunciadas e que, querendo a vida, ela se esgueira rapidamente, muitas vezes com bastante sofrimento, agarrando-se ao fio que ainda os mantém presos deste “lado”.

         Desta maneira, poderemos verificar que avaliar a vida é uma tarefa muito difícil, ou mesmo impossível, que por entre outras coisas dá origem à frase sobejamente conhecida: “a vida não tem preço”.

         Tenho contudo a esperança na existência da excepção, como em todas as regras onde qualquer mãe ou pai, biológico ou adoptivo, se dispõe a pagar o preço da sua própria vida, mesmo sem sequer a avaliar, pela vida de um filho ou filha.

         Sei, por experiência própria, não ser possível tal troca, a não ser num acto desesperado como por exemplo num acidente onde em situação de resgate, o salvador dá a vida pelo outro.

         A meu ver só em cada e precisa ocasião, se poderá preconizar, muito por alto, a maneira como cada um nós reagiria em situações tão extremas e difíceis das nossas vidas.

         Não existem regras para poderem ser aplicadas em cada caso, o tempo, o lugar e as atitudes de cada indivíduo ou conjunto de indivíduos, ditarão nas alturas próprias como reagir, com a experiência adquirida ou até a instintiva.

         Como exemplos destas reacções temos conhecimento de casos tais como, nas decisões a tomar quando esgotadas todas as hipóteses conhecidas, se decide acerca do prolongamento ou não de uma vida seja ela qual for. Estas decisões constituem pólos opostos de peso idênticos como se dois iguais se tratassem mas tão distantes um do outro.

         Actual e afortunadamente discute-se por todo o lado, seja em encontros entre os interessados, ou nos meios de comunicação, acerca de políticas do poder de decisão sobre a vida no planeta, as guerras que reduzem muitas vidas, a fome que antes de matar come quem dela padece, a ganância que se alimenta da necessidade dos outros e toda uma panóplia de enfermidades causadas pela pouca dignidade conferida à natureza das pessoas, dos animais, e das coisas existentes neste planeta azul, em que metade da humanidade anda a prejudicar a outra metade.

           Finalmente sobram, e de que maneira, as causas naturais tais como os acidentes, que ocorrem na própria natureza, por exemplo, catástrofes, disseminação de doenças e o ciclo normal da vida e da morte sempre imperturbavelmente de mãos dadas...”

         ---        

         “…Por mim acredito que existe um sítio, um lugar intemporal para onde caminhamos, de alguma maneira, com ou sem sucesso em cada momento, face ao humanamente convencionado, acreditando numa entidade, num Ser, num Deus ou mesmo não acreditando em coisa nenhuma. Contudo existe a necessidade física e espiritual de percorrer esse caminho, com extensões, passagens e estações diversas, cruzando-nos com outros percursos fáceis ou difíceis, num frenesim constante de procuras e achamentos, dando deste modo um sentido para a nossa existência.

         Porque é que tudo isto existe? É a pergunta mais comum de todos nós, quando paramos um momento nos nossos afazeres e começamos a meditar no assunto. Na verdade como disse Descartes “…se penso, logo, existo…” ou como, António Damásio provou nos seus trabalhos “…se existo, logo penso…” quando se referia à era informática aplicada ao estudo do cérebro humano.

         Se obtivermos uma resposta afirmativa para este sentido de existência teremos um objectivo, seja ele qual for. Se negarmos o sentido da nossa existência teremos o nada, podendo então assumir talvez ser esse o nosso destino, ficando com questões cuja justificação é o constantemente “Nada”.

         Depois de pensar algum tempo sobre esta crise de existência e separando-me do conceito de Deus, e como não conheço um outro sentido que me faça compreender para além do meu conhecimento, acabei por aprender nunca poder ter certezas, como muitos de nós já aprendemos, e é justamente no pensamento das incertezas que eu vou existindo, coabitando, vivendo e caminhando, juntamente com tudo e com todos que me rodeiam.

         Vamos deixando desta maneira a memória da nossa existência, ainda que ténue, legada a gerações vindouras, no tanto quanto nos é permitido, directa ou indirectamente, passando o testemunho, da nossa curta existência, de geração em geração nas dimensões possíveis.

         A seguir à nossa partida talvez outros continuem a lembrar as nossas memórias. Utilizando diversos mapas e percursos de anteriores caminhos para lições a futuras gentes. Se isso acontecer, vamos sendo bem sucedidos num testemunho histórico da nossa passagem por este mundo. Se por algum motivo a transmissão cessasse e se instalasse um novo universo diferente do conhecido, iniciar-se-ia um novo processo uma nova dimensão do cosmos. Provavelmente tudo ficaria no esquecimento, no nada.

         Contudo não nos devemos esquecer de que até o mais desconhecido pastor ou viajante da pré-história gravou o seu testemunho em pedra e só este acto permitiu não ficar no terrível desconhecimento da sua vida, até aos dias de hoje e por certo será recordado, ao invés da maior parte de toda a humanidade que não mais será lembrada mas deverá sem dúvida com a sua passagem ficar registada nesse enorme livro escrito constantemente pela mãe, Natureza.

         Assim sendo, se existir alguma coisa depois da vida que nós conhecemos, (e eu acredito que existe), a transmissão ou herança dos caminhantes que passam por esta estrada serve para deixar testemunho da nossa existência sendo difícil de interpretar a navegação numa outra dimensão, para sítios, caminhos ou mesmo outras formas de existência.

Para todos conhecidos, não conhecidos e esquecidos, certamente seremos acolhidos da mesma maneira por essa “luz” que ilumina todos os caminhantes, numa hipotética viagem de esperança, cujo objectivo é, em meu entender, O Caminho da Luz.

         Espero que o meu filho tenha alcançado essa entidade, que penso ser a meta de uma corrida para Deus, tendo grande esperança em um dia nos voltarmos a encontrar, para nunca mais nos separarmos.

         Ao prepararmo-nos o melhor que sabemos e nos é permitido, para chegar a bom porto, após breve viagem por estas rotas da nossa presença terrena e espiritual, podemos aperfeiçoar técnicas de sobrevivência nesta passagem para um desígnio diferente, ou que supomos ser diferente, através de conjecturas do nosso ser experimental. Se nos prepararmos bem, acreditando que existe algo depois daquilo a que chamamos vida e, seguidamente morte, poderemos encontrar um sítio de perfeição suprema, absoluta e intemporal. Poderemos então adivinhar que vale a pena caminhar com rectidão para nos podermos de novo reunir com os que já partiram.

         Se chegarmos depois à conclusão de que nada existe, não nos devemos inquietar, com o esforço que fizemos, porque já nem vamos ter oportunidade de pensar nisso, porque já partimos desta vida e já nem vamos a tempo de retroceder.

         Assim é sempre melhor acreditar de que se alguma coisa existe, para além do mundo físico, e se for caso disso tirarei proveito desta minha vida que me foi permitido viver. Caber-me-ão também os frutos provenientes desta minha dura caminhada e igualmente não me irei arrepender, quando por fim abraçar o meu filho que me há-de aguardar lá no fim da minha caminhada...”

 

 

         ---

         “…Atrevo-me a pensar na injustiça da morte de alguém em plena adolescência, descobrindo as coisas boas da vida, desejando conhecer tudo o que o rodeia e ser confrontado com uma “paração” total da sua preciosa vida.

         Ainda que continuasse vivo por mais algum tempo, e sabendo da escassez dos recursos científicos disponíveis para lhe permitir o prolongamento artificial daquele bem, a vida, que lhe fora oferecida, esse tempo desembocaria num sentimento total de desamparo, de ilusão, de que todos nós só nos apercebemos quando nos toca tal desgraça. Cair no precipício da vida, ou sentir-se traído pela existência oferecida como um bem supremo e ver que, pouco tempo depois, lhe é roubada, podemos levantar as questões:

           - O que é isto?

           - Para que existimos?

           - Viver é só sofrimento?

           - Para quê?

           Estas questões originam, o sentimento amargo de injustiça.

         Durante aquele tempo faltou-me a coragem de abordar o tema da morte com o meu filho, se bem que por vezes roçasse nos limites, muito discretamente, durante os seus longos períodos de silêncio e serena quietude, de olhar longínquo e vago. Por vezes ficava com os olhos fixos e humedecidos de lágrimas, provocadas por pensamentos que eu nunca soube decifrar mas que tentava adivinhar silenciosamente.

         Evitei sempre com muita resistência abordar o tema da morte frontalmente, mesmo até quando o pai se propôs a tal. Hoje o pai está arrependido de o não ter feito mas eu continuo a pensar ter procedido bem.

           Continuo a interrogar-me se é bom falar ou dizer de algum modo a uma criança que vai morrer. Sei de muitas pessoas que o fazem, mas eu até hoje não consigo pensar que no nosso caso isso tivesse sido adequado. Acho ser de uma grande heroicidade quem o consegue fazer. Posso estar enganada mas, no meu entender, o choque de dizer a um filho que vai morrer, ainda para mais quando ele ama tanto a vida, roça quase o sadismo.

         A irmã de dez anos confiou-me, meses depois da sua morte, que ele lhe tinha já contado vários segredos só a ela, e que me contaria um por não o conseguir mais guardar.

         Tinha-lhe então confidenciado preferir morrer a viver assim como vivia, cheio de tubos, com pouca mobilidade, tomando doses de morfina para abrandar as dores lancinantes que o consumiam. Contou-me isto em jeito de segredo com a voz baixa e respeitosamente, não fosse alguém ouvir um dos segredos tão bem guardados, mas cujo conteúdo já não mais sentia pertencer-lhe pois agora serviria para ajudar todos a não sofrermos tanto.

         Era um jovem com a promessa de vida recebida no dia da sua concepção, amante dessa mesma vida, transformando tudo a que tinha acesso em algo de novo, único e pessoal, transmissor das coisas boas ao seu semelhante, cativante, obcecado com a pureza do viver e do fazer bem aos outros, compreender e amar o natural.

         Ainda me arde a chaga nunca curada ao pensar como podia um jovem como ele desejar morrer em vez de viver. Quanto sofrimento lhe passava sobre o corpo ao ponto de não querer mais viver, com tantas limitações físicas a que foi submetido, onde a sua própria carne se transfigurava, sofrendo as mutações do cancro, incompatíveis com a vida biológica.

         É à irmãzinha com apenas dez anos de idade que ele escolhe para fazer esta revelação que tanto o preocupava. Só com ela foi capaz de partilhar fielmente coisa tão difícil de silenciar mesmo após a sua morte.

         Pelo facto de ela obviamente ter uma idade mais próxima da sua, terá sido escolhida como confidente dos seus segredos, de modo a não perturbar os pais a quem tanto amava. Penso que a pureza chama a pureza e a simplicidade a simplicidade, por isso foi ela a escolhida para confidente.

         É dos simples o reino dos céus. Como está escrito…, mas também é dos outros, quando se tornam tão simples, quando se passa por processos de purificação no “crysol” da nossa complicada existência.

           Assim como assim, caminhamos sempre por caminhos tortuosos, seja qual for o nosso Deus. Nascemos, vivemos e morremos. Todos nós nos transformamos noutra coisa, material ou espiritual, seja qual for o tempo de duração da caminhada e o modo como a fazemos.

         As interpretações são várias e de cada qual, mas estas convencionadas leis são comuns a todos, ricos, pobres, bons e maus, humildes ou poderosos, inocentes ou culpados. Os caminhos e as questões que vão surgindo são interpretadas diferentemente, mas o fim é o mesmo...”

 

 

(Iniciado 20 de Abril 1999) Ilda Soares”

 

 


sinto-me:

publicado por criar e ousar às 18:28
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
posts recentes

Porquê?

A Paz

A vida tem um movimento e...

O meio ambiente

Os Outros e Eu

Haja disciplina e contenç...

Sentir as Palavras

VIRGILIO FERREIRA (1916-...

Direitos da Água

VIRGINIA WOOLF (1882-1941...

COBARDIA

O Natal e os Desejos

ANDRÉ MALRAUX – (1903 -19...

À beira mar plantado

Não à desistência

favoritos

E o que Fazer?

Partilhar

Aos nossos Filhos

Valorizando a Vida

Mensagem

Os Cristos no Mundo

Ambição

Emigrantes

Afectividade

A Ausência

arquivos

Junho 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Maio 2012

Janeiro 2010

Setembro 2008

Maio 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Outubro 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

tags

todas as tags

links
pesquisar
 
E-mail
Page copy protected against web site content infringement by Copyscape
blogs SAPO